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EÇA DE QUEIROZ E O ORIENTE
A ligação de Eça de Queiroz ao Oriente deu-
O Canal de Suez na altura da sua inauguração
Se o Canal de Suez foi o pretexto para a jornada, as visitas às cidades do Cairo e Jerusalém foram os momentos marcantes da viagem, como o próprio Eça faz questão de ressaltar no texto publicado no Diário de Notícias logo após a sua chegada, intitulado «De Port-
O Cairo na época em que Eça o conheceu
O encontro com personagens como o escritor Théophile Gautier ou o Sr. de Lesseps, engenheiro do Canal, não deixaram no escritor uma impressão tão profunda como as marcas que lhe deixaram o Cairo e Jerusalém.
Tudo o que viu e sentiu Eça foi apontando nos seus cadernos de viagem, com o intuito de lhe servirem essas notas para publicação posterior, ou como material para futuras obras. Nos seus apontamentos chega mesmo a registar, com algum detalhe, locais por onde não passou, mas que ‘visitou’ graças às obras de alguns dos mais famosos visitantes do Oriente da época, como Maxime du Camp, Gérard de Nerval, Edmond About ou o já referido Théophile Gautier, o qual encontraria no Shepheard’s Hotel, no Cairo.
Mas para além dos textos, também as fotografias e gravuras da época sobre o Egipto Faraónico o influenciaram, explicando também em parte anotações sobre locais que não visitou, como Tebas e os seus templos, entre outros.
Nenhum dos cadernos com as suas notas de viagem chegou ao público enquanto o escritor foi vivo, mas tornaram-
Teodorico, d’A Relíquia, é a personagem cujo percurso mais se aproxima do do autor, mas também Fradique Mendes, Onofre, Teodoro, Carlos da Maia, Basílio, André Cavaleiro e João da Ega têm forte ligação ao Oriente. Um aspecto interessante relativo a todas estas personagens, à excepção de Fradique Mendes, é o facto de,para todas elas,a viagem representar um momento crucial nas suas vidas, um momento de mudança. As palavras de Teodorico, que refere que "esta jornada à terra do Egipto e à Palestina permanecerá sempre como a glória superior da minha carreira", podem muito bem ser a síntese que Eça faria da sua própria viagem.
Mas a sua adesão ao Orientalismo, então em voga, não passa apenas pelo Oriente próximo, mas também pelo Oriente longínquo, da China e do Japão. O caso d’O Mandarim é disso um bom exemplo, levando o leitor à China, ou mesmo os casos da crónica «Chineses e Japoneses», ou do artigo «A França e o Sião», focando mais uma vez o Oriente.
Outra ligação com o Oriente longínquo é a Cabaia, oferta do seu grande amigo, Bernardo Pinheiro de Melo, Conde de Arnoso, secretário do rei D. Carlos. Esta oferta resultou da viagem que o conde de Arnoso fez a Pequim, aquando da assinatura do primeiro tratado luso-
Bibliografia:
FEQ (1997) Eça e o Oriente — Folheto, FEQ, Tormes
MATOS.A.C. (1988) Dicionário de Eça de Queiroz, Ed. Caminho, Lisboa