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O VINHO VERDE DE TORMES
Jacinto, habituado aos bons velhos vinhos do Porto da adega do avô e aos opíparos jantares parisienses, regados a champanhes e aos mais raros borgonhas e bordéus, desde um Chatêau d'Yquem a um Romanée-
e tendo mais alma, entrando mais na alma, que muito poema ou livro santo'
Eça de Queiroz 'cantou-
Produzido na sub-
A 22 de Julho de 1986 teve lugar, em Nova Iorque, uma prova de vinhos fora do comum nos Estados Unidos, organizada pelo Instituto do Comércio Externo — ICEP, Delegação de Nova Iorque, com a colaboração da directora da Académie du Vin, Melissa Seré.
A prova de vinhos consistiu na comparação de 8 vinhos portugueses e 8 vinhos franceses, provenientes de castas e/ou microclimas semelhantes, apresentados por Pasquale Iocca, afamado enólogo americano. Provados dois a dois, sem rótulo, os vinhos foram então discutidos e avaliados por jornalistas de renome, importadores, distribuidores e ‘connoisseurs’, antes de serem apresentados.
Das provas realizadas, surpreendeu a qualidade dos vinhos portugueses, até então desconhe-
Relativamente à prova dos Vinhos Brancos, os vinhos apresentados foram um Vouvray "Clos Baudoin", colheita de 1984 (Prince Poniatowski), do Loire, e o vinho Verde "Tormes", colheita de 1984 (Quinta de Vila Nova, Salema de Castro), Minho. O texto da próxima página é um resumo dos resultados da prova, pela ‘Portuguese Trade Commission’, demonstra a qualidade do vinho Verde de Tormes.
"(...) Ambos os vinhos, provenientes de climas nortenhos, eram bastante secos, com acidez vigorosa e com um jovial sabor a fruta devido ao precoce engarrafamento. As castas (Avesso, o Tormes, e Chenin Blanc, o Vouvray), embora diferentes, criam aromas e sabores extraordinariamente parecidos, com uma frescura de maçã, o que despistou muitos dos participantes que trocaram a identidade dos vinhos. Foi o que aconteceu precisamente à Sra. Carole Collier, editora da secção de vinhos franceses da famosa revista ‘International Wine Review’: antes da prova mostrou certo cepticismo em relação a confundir um vinho verde com um Vouvray; mas acabou ela própria por trocar o Vouvray com o Tormes. O Sr. Patrick Seré, conhecido importador de vinhos franceses, identificou os vinhos correctamente mas achou o Vouvray excessivamente ácido, e preferiu o vinho verde, mais equilibrado."